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ONDE ROMA COMEÇOU

Monte Palatino: Onde Roma Começou

A colina do mito fundador e das cabanas da Idade do Ferro, das mansões republicanas, da casa de Augusto e do vasto palácio de Domiciano — a colina que nos deu a palavra palácio.

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A colina onde Roma começou

O Palatino é a mais lendária das sete colinas de Roma, pois foi aqui que os romanos acreditaram ter nascido a sua cidade. A lenda situava no seu sopé a gruta da loba que amamentou Rómulo e Remo, e atribuía a Rómulo a fundação da cidade no próprio Palatino. Curiosamente, a arqueologia dá algum crédito à história: escavações revelaram buracos de postes e vestígios de cabanas da Idade do Ferro na colina, datados de cerca do século VIII a.C. — exatamente o período que a tradição assinala como o da fundação. Existisse ou não um homem chamado Rómulo, o certo é que já havia gente a viver aqui no início de Roma. Ao pisar o Palatino, encontra-se no terreno que os próprios romanos consideravam a origem de tudo o que se seguiu — o mito fundador e a realidade arqueológica no mesmo lugar.

O endereço da elite da República

Muito antes dos imperadores, o Palatino era o bairro mais elegante de Roma, a colina onde as principais famílias da República escolhiam viver. A sua posição — elevada sobre o Fórum, apanhando a brisa, perto do centro mas acima das multidões — fazia dela o equivalente antigo do melhor endereço da cidade. Cícero tinha aqui uma casa; Marco António e outros homens proeminentes da época também, segundo consta. Não é por acaso que a própria palavra "palácio", e os seus equivalentes nas línguas europeias, deriva de Palatium, o nome desta colina: o lugar ficou tão associado a residências grandiosas que o seu nome se transformou na palavra que as designa. Quando Augusto fez daqui a sua casa, estava a construir sobre um terreno já sinónimo de poder e prestígio.

Augusto e as primeiras residências imperiais

O primeiro imperador de Roma, Augusto, nasceu no Palatino ou nas suas imediações e fez questão de o escolher como residência, estabelecendo um precedente que todos os imperadores seguintes viriam a adotar. Cuidadoso em evitar qualquer aparência de realeza, viveu numa casa relativamente modesta para os padrões imperiais, ao lado da chamada Casa de Lívia, assim nomeada em homenagem à sua esposa. Ambas preservam extraordinárias pinturas murais — frescos romanos de cores ricas retratando arquitetura, jardins e figuras, entre os mais notáveis que sobreviveram em qualquer lugar — e o acesso a elas é limitado e, por vezes, com bilhete separado. Augusto ergueu também aqui um grande templo dedicado a Apolo, ligando a sua própria casa aos deuses. É aqui que a ideia do imperador a viver no Palatino — e a própria palavra palácio — verdadeiramente começa.

O palácio de Domiciano: o imperador como um deus

As ruínas dominantes do Palatino pertencem ao vasto complexo palaciano mandado construir para o imperador Domiciano no final do século I d.C., geralmente atribuído ao arquiteto Rabírio. Dividia-se em várias partes: a Domus Flavia, ala pública e cerimonial, com grandiosas salas de audiências onde o imperador recebia o mundo; a Domus Augustana, residência imperial privada disposta em vários níveis descendentes; e um grande jardim rebaixado em forma de estádio, o chamado Hipódromo, para o lazer do imperador. A escala era deliberadamente avassaladora, concebida para impressionar cada visitante de que o seu dono era mais do que um homem comum. Durante séculos, este permaneceu como o centro operacional do poder romano, e as suas imponentes estruturas de tijolo ainda coroam a colina, oferecendo o melhor testemunho, em qualquer lugar, de como os imperadores realmente viviam.

Os jardins renascentistas no topo

Uma das surpresas do Palatino é uma camada de beleza que, muitos séculos depois, se estende sobre as ruínas. No século XVI, a poderosa família Farnese criou um dos primeiros verdadeiros jardins botânicos da Europa no topo do palácio enterrado de Domiciano — os Jardins Farnese, ou Horti Farnesiani. Terraços, alamedas arborizadas, um pavilhão e miradouros foram dispostos sobre os escombros antigos, transformando a colina dos imperadores num jardim de prazer renascentista. Hoje, os jardins são um contraponto verde e sombreado à pedra exposta em todo o resto do sítio, e um lugar bem-vindo para pausar no calor. São também um lembrete de que a história do Palatino não terminou com a queda de Roma: papas e príncipes continuaram a moldar a colina muito depois de o último imperador a ter deixado.

As vistas, e dando à colina o que é seu.

O Palatino oferece as melhores vistas de todo o sítio arqueológico, e não por acaso — os imperadores escolheram a colina precisamente por este domínio sobre a cidade. Do seu extremo sul, olha-se diretamente para o Circo Máximo, a enorme pista de corridas de bigas, e imagina-se o imperador a assistir às corridas do próprio palácio. De outros pontos, o Fórum estende-se lá em baixo e o Coliseu ergue-se ao fundo. Muitos visitantes, exaustos depois do anfiteatro e do Fórum, dedicam ao Palatino uns cansados vinte minutos; ele merece muito mais. Suba com energia de sobra, percorra as ruínas do palácio e os jardins, absorva as vistas, e compreenderá algo que o Fórum sozinho não consegue mostrar — o que era olhar para Roma de cima, como seu senhor.

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