O FÓRUM DECODIFICADO
O Fórum Romano Decifrado, Ruína a Ruína
Um campo de colunas partidas torna-se legível quando se sabe o que cada uma representava — os templos, os arcos, as basílicas e a Via Sacra que os atravessava a todos.
Check dates and availability ↗O que o Fórum realmente foi
Hoje, o Fórum Romano parece um campo confuso de colunas partidas e muros pela metade, mas durante mil anos foi o espaço público mais importante do mundo ocidental. Construído no vale entre as colinas Capitolina e Palatina — originalmente uma depressão pantanosa, drenada pelo grande esgoto de Roma, a Cloaca Maxima — cresceu até se tornar o centro da política, do direito, da religião e do comércio da cidade. Foi aqui que os romanos votaram, ouviram discursos da Rostra, assistiram a procissões triunfais, adoraram nos templos, fizeram negócios nas basílicas e trocaram boatos na praça aberta. Aquilo por onde caminha agora é o acumular de séculos, da República ao fim do Império, tudo misturado. Saber o que cada monte de pedra foi outrora transforma todo o vale de ruínas numa cidade legível.
A Via Sacra e o triunfo
A espinha dorsal do Fórum é a Via Sacra, o Caminho Sagrado, a rua antiga por onde ainda hoje se caminha. Era o percurso do triunfo romano, a grande parada da vitória concedida a um general que regressava: a procissão serpenteava pela cidade e subia até ao Templo de Júpiter no Capitólio, com o vencedor numa carruagem, os seus soldados, despojos e cativos exibidos perante multidões em delírio. Ao longo desta rua erguiam-se muitos dos marcos do Fórum, e ela ligava a praça pública à encosta que sobe até ao Capitólio. Ao percorrê-la, pisa exatamente o mesmo caminho por onde generais, imperadores e prisioneiros desfilaram no coração de Roma — um dos poucos lugares onde os passos do visitante moderno quase coincidem com o palco exato onde o drama antigo realmente aconteceu.
Os templos
Vários templos ainda pontuam o Fórum, cada um merecendo ser identificado. As oito colunas cinzentas sobreviventes do Templo de Saturno, um dos cultos mais antigos de Roma, outrora ladeavam um edifício que albergava o tesouro do Estado. O redondo Templo de Vesta guardava a chama sagrada cuidada pelas Virgens Vestais, cuja ampla Casa se erguia ao lado; manter esse fogo aceso era considerado vital para a sobrevivência de Roma. As altas colunas do Templo de Castor e Pólux homenageavam os gémeos divinos a quem se atribuía a notícia de uma vitória romana. E o bem-preservado Templo de Antonino e Faustina deve a sua sobrevivência ao facto de ter sido convertido em igreja, com o seu pórtico antigo absorvido pelo edifício posterior. Estes não eram apenas locais religiosos, mas instituições cívicas — tesouro, guardiões do calendário, garantes do próprio Estado.
Os arcos e a Rostra
Dois arcos triunfais ancoram as extremidades do Fórum. O Arco de Septímio Severo, no lado do Capitólio, foi erguido em 203 d.C. para celebrar as vitórias desse imperador no Oriente e é ricamente esculpido com cenas de batalha. Na outra extremidade ergue-se o mais antigo Arco de Tito, que comemora o esmagamento da revolta judaica e o saque de Jerusalém em 70 d.C. — os seus relevos interiores mostram, de forma célebre, soldados romanos a transportar o candelabro de sete braços e outros tesouros do Templo, uma das imagens mais carregadas de significado da Antiguidade. Nas proximidades, a Rostra era a tribuna de oradores a partir da qual se dirigiam ao povo; o nome provém dos esporões de navios, rostra, que outrora a decoravam. Foi daqui que os grandes debates públicos de Roma se ganharam e se perderam diante da multidão.
Basílicas e a Cúria
Nem toda basílica romana era uma igreja — a palavra designava, em primeiro lugar, uma grande sala pública para negócios e justiça. A ruína mais impressionante do Fórum é a Basílica de Maxêncio, cujas três colossais abóbadas de tijolo ainda se erguem sobre o local e transmitem a verdadeira escala em que os construtores imperiais trabalhavam; foi concluída sob Constantino. De frente para a praça aberta, a Cúria Júlia, a casa do Senado, sobrevive notavelmente intacta porque também se tornou uma igreja — no interior, a sala de tijolo simples e o piso de mármore são essencialmente os mesmos que os senadores conheceram. Entre elas estendiam-se outrora a Basílica Emília e a Basílica Júlia, tribunais e salas comerciais agora reduzidos a plantas e tocos de colunas. Foi nestes edifícios que os negócios e a justiça de Roma se fizeram, dia após dia.
Como percorrer o Fórum
O Fórum recompensa quem planeia, porque entrar sem preparação pode parecer um labirinto. A maioria dos percursos leva-o até perto do Arco de Tito ou desce do Palatino, e uma boa abordagem é seguir a Via Sacra como fio condutor, assinalando os marcos ao longo do caminho: o arco de Tito, a Basílica de Maxêncio, os templos, a Cúria e o Arco de Septímio Severo no extremo oposto. Reserve mais tempo do que imagina — confortavelmente uma ou duas horas se realmente ler o local em vez de apenas fotografar e seguir em frente. É quase totalmente sem sombra, por isso um chapéu, água e as horas mais frescas do dia fazem diferença. E olhe para o Palatino enquanto caminha: os palácios lá em cima foram construídos para dominar tudo isto.